O projeto Através (Somos): corpo, cultura e cidade nasceu do desejo do Núcleo Coletivo 22 de atravessar outros estados além de Goiás — e também de ser atravessado. Atravessado pelos encontros, pelas trocas, pelo entrecruzar de corpos e culturas. Executado em 2024, o projeto teve como objetivo difundir e compartilhar a produção artística do grupo, provocando reflexões sobre temas urgentes como gênero, diversidade, cultura afro-brasileira e território.
Composto pela circulação de dois trabalhos distintos e, ao mesmo tempo, complementares, o projeto entrelaça narrativas e corporeidades que dialogam entre si. De um lado, o espetáculo “Por Cima do Mar eu Vim”, fomentado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Goiânia (Edital nº 01/2014), por meio do projeto Kalunga Grande. A obra revisita a travessia de africanos escravizados rumo ao Brasil, trazendo à cena a força simbólica de Kalunga Grande como elo entre a história de Nzinga Mbandi — rainha africana do século XVII que governou territórios hoje pertencentes a Angola — e as entidades e símbolos da cultura afro-brasileira.
De outro lado, a performance “Entre Raízes, Corpos e Fé” evoca a ancestralidade e a potência do feminino a partir das experiências de parteiras, raizeiras e benzedeiras do cerrado. Que com os pés tateando a terra, com o corpo quente pelo o calor da fogueira, com sons e instrumentos que fundem cultura e natureza, poetiza o gesto e celebra o saber enraizado na terra.
Por meio deste projeto o grupo circulou por Brasília, São Paulo e Recife.
Através(somos): Corpo, Cultura e Cidade, contemplado na Lei Paulo Gustavo do Governo Federal operacionalizado pelo Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado da Cultura 2024.