Depois de pisar, amassar e sovar o barro do nosso chão no projeto Barro do Chão ergueu-se, com mãos coletivas, a morada de nossa poética afro-ameríndia: o projeto Pau a Pique – Morada de Dança e Poética Afro-Ameríndia. Pós pandemia, seguimos em movimento, levando nossos trabalhos Entre Raízes, Corpos e Fé a Brasília e Por Cima do Mar eu Vim a Recife, João Pessoa e São Paulo. Nesse percurso, compreendemos que cuidar de nossas moradas é também cultivar e descobrir novas poéticas afro-ameríndias, em constante enraizamento e reinvenção. É com esse espírito que se ergue, em 2025, Casa de Taipa, feita à mão e em comunidade. Um espaço de continuidade e resistência, que reafirma a importância do trabalho do Núcleo no cenário artístico e cultural de Goiás e do Brasil. Pensar uma Casa de Taipa não é apenas revisitar o passado ou romantizar o antigo — é lançar um olhar para o futuro, firmemente comprometido com as periferias de Goiânia, com seus saberes e potências.
A Casa de Taipa se abre para a chegada de novos públicos: estudantes da rede pública, aprendizes das artes cênicas, mestres, mestras e vizinhos que, ano após ano, roda após roda, se agregam e estabelecem conexões significativas, transformadoras e comunitárias. Com a manutenção das ações na sede, seguimos buscando abordagens artísticas que reconheçam e valorizem universos culturais historicamente marginalizados. Assim, o projeto contribui para a formação de artistas e para a luta antirracista, afirmando a arte como território de resistência, criação e futuro.
Casa de Taipa, contemplado pelo Edital de fomento à Manutenção Continuada de Grupos e Companhias Artísticas e Edital de Seleção de Projetos Nº 16/2024.