O barro do chão carrega memórias profundas. Remete à terra — sagrada para povos africanos e ameríndios — que acolhe nossos pés descalços, sustenta nossos corpos e firma o axé que nos move. É nessa terra que dançamos e festejamos, que semeamos e colhemos, que choramos e renascemos. O chão não é apenas superfície: é território de memória, de luta, de celebração. No chão o corpo se curva para o trabalho, gira na roda de capoeira, pisa com força no jongo, risca a ciranda e vibra no batuque. Chão que canta, que guarda, e que ensina. Foi nesse sentido simbólico e vital do barro do chão que o Núcleo Coletivo 22 desejou qualificar o próprio território - o Espaço Cultural Águas de Menino, como uma morada de arte. Um chão que pulsa com o desejo de criar encontros entre as artes cênicas e as performances tradicionais. Um espaço onde a arte brota da escuta do tempo e do corpo coletivo e o barro molda poéticas que nascem da partilha. O projeto foi desenvolvido ao longo do ano de 2018 e trouxe ainda mais vida e movimento ao Espaço Cultural Águas de Menino. Durante esse período, a companhia realizou ensaios intensos e promoveu eventos marcantes, como o batizado da parelha de tambor de crioula — carinhosamente chamada de Gondó —, que contou com a participação de brincantes do Boi de Seu Teodoro, de Sobradinho (DF). O espaço também foi palco para oficinas de jongo e rodas de capoeira, fortalecendo os laços com as manifestações da cultura popular.
Barro do Chão - Manutenção do Núcleo Coletivo 22, contemplado pelo Fundo de Arte e Cultura, SEDUCE e Governo de Goiás. Edital 17/2016.