MORINGA (2011)

É uma dança feita de terra e água, cozida ao fogo e resfriada pelo vento. Tem textura lisa, úmida, e, na qualidade de receptáculo, carrega algo em seu interior. A moringa — feita do barro da criação — guarda o líquido que nutre os que nascem e apazigua os ânimos dos deuses subterrâneos. É o barro do chão, transformado pelas mãos do oleiro, que na circularidade do torno desenha no tempo as formas do feminino: vagina, útero e seio. É também a substância que, no fundo do lago ou no pântano, guarda os segredos de uma velha senhora do antigo Daomé. É a terra molhada que fecunda a vida e acolhe a morte.

O espetáculo Moringa nasce em 2011, a partir de antigas pesquisas da diretora e intérprete Renata Lima, e do encontro com o músico Diego Amaral — parceria que daria origem a um dos primeiros trabalhos do Núcleo Coletivo 22, na cidade de Goiânia. Em 2016, o espetáculo reestreia com a incorporação de dois novos artistas do Núcleo: Vinicius Bolivar e Wellington Campos. A obra celebra a maturidade da companhia, que, ao longo de seus 16 anos de trajetória, tem se dedicado a entrelaçar dança, teatro, música e cultura negra em suas investigações cênicas.