EJÉ

Èjé, que em yorubá significa "sangue", é uma palavra profundamente carregada de simbolismo e espiritualidade nas culturas afro-brasileiras, especialmente dentro da cosmovisão yorubá. O sangue, enquanto substância vital, é entendido não apenas como um fluido físico, mas também como um veículo de axé, a energia essencial e vital que permeia o universo. Em muitas tradições afro-brasileiras, o axé é visto como a força que dá movimento à vida, tornando o sangue um elemento central na conexão entre o humano e o divino. Èjé, o videodança do Núcleo Coletivo 22, foi realizado em parceria com a TV UFG, a segunda colaboração entre as duas instituições, e elaborado a partir do espetáculo RUBRO (2012), que também gerou uma instalação organizada por Elisa Abraão. Com uma dramaturgia que borra as fronteiras entre os gêneros, o vídeo convida um corpo masculino a viver o drama feminino, sempre marcado pela presença do sangue. Impulsionado pela reflexão sobre o microcosmo feminino e pela cosmovisão yorubá, o vídeo transita pelas tramas espaciais e simbólicas do útero, da saia e de uma “jaula”, percorrendo o corpo feminino de dentro para fora. Èjé propõe um convite à experiência do feminino que transcende a realidade e as questões de gênero, como identidade social, para amalgamar corpo, natureza e mito. A lama de Nanã, o mistério de Ewá, os ventos de Yansã, o espelho de Oxum e a “mãe cujos filhos são peixes” conferem qualidade aos movimentos ancestrais, que, no corpo, se transformam em dança.

FICHA TÉCNICA

Direção: Elisa Abrão e Michael Valim

Coreografia: Núcleo Coletivo 22

Interpretação: Wellington Campos (Ngunga)

Direção: Elisa Abrão e Michael Valim

Concepção e direção de Cena: Renata Lima (Kabilaewatatala)

Criação e roteiro: Renata Lima (Kabilaewatala) e Elisa Abraão

Coreografia: Núcleo Coletivo 22

Trilha sonora: Studio Traquitana (Décio 7 e Cris Scabello)

Direção de Fotografia: Michael Valim e Fernando Braz

Produção executiva: Núcleo Coletivo 22

Direção de produção: Vanessa Bandeira

Edição e Finalização: Bruno Fiorese

Cinegrafia: Fernando Braz e Michael Valim

Assistência de cinegrafia: Augusto Ijanc

Figurino: Su Martins e Cris Alves

Fotos: Cra Gotlieb e Elisa Abrão

Still: Mariana Jácomo

Cidade: Goiânia

País: Brasil