PASSAGEM

Com concepção de Renata Lima (Kabilaewatala) e direção de Michael Valim, o vídeo-performance Passagem marca a primeira produção do Núcleo Coletivo 22 no campo do audiovisual. Passagem é, antes de tudo, uma metáfora da sensação, do ato e do efeito de ir. De atravessar lugares e pessoas, de marcar e ser marcado por elas. Ir “arrebanhando gente” — como se deu a própria constituição do Núcleo Coletivo 22 — atravessando territórios: de Campinas a São Paulo, e depois para Goiânia, agregando pessoas de diferentes contextos. Assim como acontece nos cortejos, folias, procissões e romarias das culturas populares brasileiras. Contextos em que se canta para rezar e se reza para cantar, em que se dança para os santos — e os santos, por sua vez, dançam também. O cortejo de Passagem alimenta-se dessa ideia de devoção, presente no Congado, nas Folias de Reis e em tantos outros festejos. O projeto é fruto de uma parceria entre o Núcleo Coletivo 22 e a TV UFG: de um lado, o grupo investiga possibilidades de construção de dramaturgias corporais a partir de elementos da cultura popular brasileira; de outro, a emissora explora o diálogo entre o audiovisual e as artes cênicas. Entre um lado e outro, uma Passagem. Uma ponte criada pelo Projeto Corpopular – Intersecções Culturais, coordenado por Renata Lima (Kabilaewatala), a partir do edital Proext 2011. Vale mencionar ainda que Passagem foi o primeiro trabalho do Núcleo Coletivo 22 a reunir os núcleos de São Paulo e Goiânia, simbolizando também a transição da sede da companhia para o cerrado brasileiro. A terra vermelha e a mata reforçam a natureza ritual da obra — que cruza territórios, saberes e temporalidades. O cortejo, os palhaços, o estandarte, os batuques na noite, a saia que gira, as mulheres que cantam, dançam e tocam — todos esses elementos compõem uma narrativa cíclica, onde o fim é sempre o começo. Uma espiral de tempo, corpo e cultura em constante reinvenção.

Passagem: tempo e espaço em movimento

Passagem propõe uma experiência sensível desse tempo: Um tempo que nos toca, nos inquieta, nos excita, nos mobiliza e nos transforma. Uma passagem inspirada nos cortejos populares, onde o som dos tambores evoca uma vivência-limite entre o Kronos da cronologia coletiva e o Kairós da transgressão e da singularidade. Um jogo cênico em que cada espectador atravessa os sentidos complementares do estar — aparentemente provisório, como o vento ou as águas do rio — mas profundamente presente no ciclo incessante e intermitente da vida.

FICHA TÉCNICA 

ELENCO:
Cláudia Barreto, Diego Amaral, Fábio Farias, Ively Viccari, Jordana Dolores, Lorena Fonte, Luiz Ramos, Marlini Dornelles, Noel Carvalho, Renata Lima, Rosirene Campêlo, Vinicius Bolivar, Viviam Maria, Wellington Campos

COLABORAÇÃO NO PROCESSO DE CRIAÇÃO
Adriana Silva, Alda Pessoa, Elisa Abraão, Flavia Dayana, Juliana Klein, Marianna Monteiro

CONCEPÇÃO E DIREÇÃO DE CENA
Renata Lima (Kabilaewatala)

CRIAÇÃO E ROTEIRO
Renata Lima (Kabilaewatala) e Michael Valim

COREOGRAFIA
Núcleo Coletivo 22

DIREÇÃO
Michael Valim

EQUIPE
Direção de Fotografia: Fernando Braz
Produção Executiva: Vanessa Bandeira
Direção de Produção: Milena Nominato
Assistência de Direção: Luísa Vianna
Som Direto: Vasconcelos Neto
Mixagem: Thiago Camargo
Edição: Michael Valim
Cinegrafia: Fernando Braz e Charles Helmer
Assistência de Câmera: Dayro e João Paulo
Figurino: Cris Alves e Biba Rigo
Design Gráfico: Shayenne Reis

MÚSICAS
“Marinheiro” (Irmandade do Rosário de Justinópolis)
“Que Hora Vai Minha Beleza” (Domínio Público)
“Orais Pro Nobis” (Caixeiras do Divino da Casa Fanthi Ashanti)
“Quando Eu Venho de Luanda” (Adapt. Mestre Tony Vargas)

PRODUÇÃO
Realização: Programa Corpopular — Intersecções Culturais (PROEXT 2011 — MEC/SESu) e Núcleo Coletivo 22
Parceria: RTVE – TV UFG
Apoio: FEF UFG e ADUFG Sindicato